Um novo olhar na educação: Como transformar o cenário de crianças com dificuldades de aprendizagem na escola

Identificar o diagnóstico pelas dificuldades e distúrbios na aprendizagem do aluno é um fator importante que ajuda no tratamento precoce e reabilitação

Por Dione Silva

  



Com o avanço das pesquisas realizadas pelo mundo, um artigo publicado recentemente na Creative Education, estudou 376 artigos relacionados a fatores que influenciam a aprendizagem de crianças e adolescente. Com essa pesquisa, conclui-se que dentre os sinais mais comuns analisados estão os transtornos, Déficit de Atenção. Esse é um dos sintomas do TDAH que mais restringe e aumenta o risco de baixo rendimento na escola e consequentemente na carreira acadêmica.

TDAH é uma abreviação do termo (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Ele é chamado às vezes de DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção).

De acordo com a Neuropsicopedagoga Juciene Mota, os sintomas variam muito. “Em geral percebe que a criança ou o adolescente não foca na atividade, com falta de atenção e concentração. Não passa muito tempo excedendo a mesma atividade, tem dificuldade de identificação das letras e dos números. E aí acarreta a dificuldade na leitura e escrita”.

Por muito tempo a hiperatividade do TDAH foi entendida como sendo o “vilão” das principais causa de atraso no ensino infantil. Por isso especialistas ressaltam a importância de se identificar precocemente o déficit de Atenção na trajetória escolar. Vários trabalhos vêm aprimorar no desenvolvimento como medida importante na prevenção frente à evasão escolar.

Bernardo Vieira que tem de 6 anos, estuda na escola Balão Magico, rede particular de ensino e foi identificado nele uma das características apresentadas à habilidade de inibir respostas competitivas chamado de “Controle Inibitório”.

Jailma Pereira, que é mãe de Bernardo contou que ele não conseguia assimilar as letras ditas pela professora durante as aulas e precisou de um acompanhamento mais especializado. “Eu comecei a perceber que Bernardo estava tendo uma mudança de comportamento, principalmente com relação a ir à escola e nas atividades escolares. Parei para observar melhor e ele foi ficando muito antissocial. E quando ficava em casa era o tempo todo, (e isso era 90% do dia) no celular. Me incomodava muito, o fato de não querer ir pra escola, ele chegava até chorar pra não ir”, destacou Jailma.

De acordo com a LEI de Nº 14.254, de 30 de novembro de 2021, no artigo 3º fala que os educandos com dislexia, TDAH ou outro transtorno de aprendizagem que apresentam alterações no desenvolvimento da leitura e da escrita, ou instabilidade na atenção, que repercutam na aprendizagem devem ter assegurado o acompanhamento específico direcionado à sua dificuldade, da forma mais precoce possível, pelos seus educadores no âmbito da escola na qual estão matriculados e podem contar com apoio e orientação da área de saúde, de assistência social e de outras políticas públicas existentes no território.

Portanto a família ou da escola perceber que o indivíduo apresente o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade - TDAH, é solicitado um profissional para ajudar. E na primeira sessão a família é acompanhada também. É um processo chamado de anamnese. Essa anamnese é onde faz todo o levantamento de vida da criança seja ela pessoal ou escolar, desde a gestação da mãe com perguntas como: O parto foi tranquilo? A gestação foi tranquila? Depois que a criança nasceu o que ocorreu? Ficou em incubadora? Se precisou ficar internado? Tudo isso vai acarretar na anamnese, nesse acompanhamento com a família. Entra outra etapa, a questão escolar. Com quantos anos a criança foi à escola? Como ela é na escola? Se adaptou bem na escola? Se houve mudança de escola? Como foi essa mudança? Se a criança estudar ainda, é solicitado um relatório da escola, e um relatório do professor finalizando como essa criança é em sala de aula. Após essa seção com a família, segue as sessões com a criança, com o indivíduo que levarão ao diagnóstico.

Essas Sessões de avaliação, como destaca Juciene Mota, é onde vai trabalhar as áreas do cérebro. “Por que a neupsicopedagogia, É uma profissional que é diferente da psicopedagogia. Neupsicopedagogia trabalha o cérebro. Neste processo, cérebro é dividido em algumas áreas, onde nessas sessões de avalições, o profissional vai estudar estuda a mente, avaliar no indivíduo, sessões por sessões, uma parte do cérebro que é responsável por algo, por algum desenvolvimento da criança”, concluiu ela.

Jailma conta que após esse acompanhamento com especialista, Bernardo teve uma melhora significativa no desenvolvimento. “Ela fez uma avaliação, nos deu o diagnóstico com dificuldade em leitura, caligrafia, memorização e explicou como poderíamos trabalhar e assim foi feito. Hoje ele é acompanhado com seções de terapia uma vez por semana, e o resultado? Surpreendente. A evolução dele, muito positivo de verdade”, finalizou a mãe de Bernardo.

Infelizmente, esse diagnostico não é tão rápido como na rede pública de ensino como na rede particular, como informa a Edízia Rodrigues, Educadora de apoio da escola estadual Leoncio Gomes de Araújo em São Lourenço da Mata. Segundo ela, em uma única turma na escola, 6 crianças apresentaram características de comportamentos diferentes relacionados ao Déficit de Atenção com Hiperatividade. “Quando um aluno é visto com algum transtorno de aprendizagem a família é avisada e encaminhada para uma avaliação com o psicopedagogo, psicólogo, pediatra ou neuropedagogo. A criança, o adolescente precisam de um tratamento especifico, só o professor não consegue lidar com essas difusões”, informou a educadora.

Na escola possui duas professoras com formação em Psicopedagogia que cuidam dessas crianças, porém o ideal é a família busquem junto a um especialista avaliação correta com laudo para o tratamento adequando para que esse aluno consiga uma evolução e reabilitação na aprendizagem educacional.

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